CONTEXTO

Em que contexto surgiu a Conferência?

Em 2018, o governo brasileiro retirou sua candidatura para que o Brasil fosse anfitrião da 25ª Conferência do Clima da ONU (COP-25), que aconteceria em 2019. A rotação das sedes das COPs nas regiões do globo é uma prática da ONU e depois da ECO-92 e Rio+20 sediadas no Brasil, que resultaram na elaboração e lançamento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, sediar a COP-25 enfatizaria o protagonismo internacional do Brasil na chamada de ação para o setor privado, na promoção da governança climática e no combate ao desmatamento ilegal. Além disso, o Brasil também perde todas as oportunidades que um grande evento pode gerar para as sedes anfitriãs.

 

Ainda em 2019, o vaivém acerca da fusão do Ministério do Meio Ambiente e da Agricultura e especulações acerca da saída do Acordo de Paris, levantou, além de muitas objeções, dúvidas sobre o quanto as prioridades do país ajudarão a focar nas metas da NDC brasileira. Além disso, as propostas de modificações de leis acerca das flexibilizações em torno da exploração predatória das áreas de floresta no país;  a extinção de colegiados; a deslegitimação do direito a terras ancestrais, de flexibilizações de licenciamentos; a fiscalização e a familiarização com posicionamentos negacionistas em relação ao enfrentamento da crise climática e do desmatamento; nos cercam de incertezas acerca dos compromissos e da governança climática no país e da capacidade da pasta de meio ambiente em impor restrições a outras pastas ministeriais. 

 

Por todos esses motivos, a Conferência surgiu como uma oportunidade de promover o diálogo sobre como retomar a trilha da responsabilidade climática, da participação da sociedade, da consolidação de pactos internos, de fortalecimento de programas locais de adequação de políticas e planos de desenvolvimento e de ampliação da agenda climática.

Não tem dinheiro que pague a nossa floresta, os rios e as vidas do nosso povo

DAVI KOPENAWA, presidente da Hutukara (Associação Yanomami) e liderança histórica de seu povo, em reunião no Ministério Público Federal

Como estamos organizando a Conferência Brasileira de Mudança do Clima?

As reuniões para organização da governança, da programação, da definição de escopos de grupos de trabalho e da divulgação acontecem mensalmente desde janeiro de 2019. Participam desses encontros organizações da sociedade civil, movimentos sociais, associação de povos e comunidades tradicionais, comunidade científica, governos e instituições públicas e empresas públicas e privadas.

 

A programação da Conferência refletirá uma sequência de diálogos e adotará proposições que surgiram ao longo do trabalho de um ano inteiro de reflexões, análise de políticas e iniciativas implementadas ou operadas no Brasil.

 

Além da programação brasileira e do lançamento de um documento final, a Conferência também irá indicar eventos para a programação da COP-25 no Chile e endereçará ao governo brasileiro e à UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) proposições sobre o posicionamento e expectativas das empresas, sociedade civil, academia e povos e comunidades tradicionais.

 

Os diferentes atores que compõem a organização da Conferência também endereçarão mensagens e posicionamentos de sólido comprometimento ético, econômico e social com a agenda de clima, floresta e desenvolvimento sustentável na expectativa de pleitear maior compromisso e protagonismo dos governos brasileiros com estas agendas e maior espaço de diálogo da UNFCCC com setores da sociedade e mercado.

 

A Conferência Brasileira de Mudança do Clima é um evento carbono neutro e compensará suas emissões de maneira transparente, rastreável e segura com o apoio do programa Amigo do Clima, desenvolvido pela WayCarbon.

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