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Trabalho, tecnologia e mudança climática - como essas questões podem interferir no futuro?

Temática foi dialogada na CBMC



Quando o assunto é o impacto causado pela mudança do clima, muitos lançam olhar sobre a agricultura, pois a escassez de alguns alimentos é uma realidade em temperaturas altas. Mas, para além dos danos ambientais e alimentares, a questão do trabalho também sofrerá perdas significativas.


“A OIT divulgou estudo sobre o impacto no mundo do trabalho. Se houver elevação de 1,5 graus a agricultura vai perder 2,4% das horas de trabalho em todo o mundo. Outro setor que será afetado é o da construção civil, devido a boa parte do trabalho ser realizado ao ar livre e como efeito correlato a questão de saúde e segurança do trabalho, como a perda de produtividade. Temos que considerar que caso a temperatura corporal atinja 39 graus pode levar a morte instantânea”, destacou Paulo Muçouçah, sociólogo e consultor autônomo sobre temas socioambientais, que juntamente a Nelson Karan, economista e supervisor do Núcleo de Políticas Públicas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE); Clovis Nascimento, engenheiro civil e sanitarista, presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge); e Daniel Gaio, secretário nacional de Meio Ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), participaram do painel Trabalho, tecnologia e mudança climática, no segundo dia da Conferência Brasileira de Mudança do Clima (CBMC), no Recife.


O moderador, Nelson Karan observou já na abertura do diálogo que “a questão mais grave hoje do ponto de vista social é o desemprego. São mais de 12 milhões de desempregados, segundo o IBGE. Se consideramos a informalidade e todas as outras questões de relação de trabalho, temos 50 milhões de pessoas desempregadas”, para ele, o ponto central na atual conjuntura que se configura é: “Como lidar com a percepção dos trabalhadores de risco eminente de perca do trabalho?”.


Daniel Gaio acredita que “o atual momento nos impõe o desafio em avançar nessas discussões e que na COP 25 seja dada uma resposta efetiva, que considere a questão da transição justa”. O secretário nacional de Meio Ambiente da CUT pautou sua fala a respeito da transição para uma economia de baixo carbono. “Apenas um país, até o momento, menciona a transição justa, a África do Sul, mesmo assim a abordagem do tema é torta”, disse ele.


Para Muçouçah, “algumas medidas não dependem totalmente do governo federal. A CBMC é prova disso, pelo apoio que recebeu dos governos estadual e municipal”.


Por fim, Clovis Nascimento fez um chamamento: “Nós vivemos uma situação na qual não podemos continuar apáticos. A população brasileira precisa acordar e ir para as ruas”, clamou o presidente da Fisenge.



Por: Rejane Romano, do Instituto Ethos

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